quinta-feira, 24 de março de 2011

Quero ser Patti LuPone

E finalmente eu tomei coragem para entrar numa escola de musicais,e me dei conta de quanto demoro pra por alguns projetos em prática. A primeira vez que fui na Operária foi em 2005, eu ainda morava em Recife, tinha vindo a SP pra uma reunião de um trabalho que eu ia fazer como mágico, enfim. 6 anos se passaram, e entre muitas aulas de canto, muitos (mas muitos mesmo) musicais assistidos, algumas passadas na Broadway e no West End, e um teste bem divertido pro Hair eu resolvi me dedicar a esse sonho de fazer musicais. Ok, sem mais bobby-baby, vamos falar da primeira aula. Pra variar, cheguei atrasado... Quem ja foi na Operária sabe como tem aquele clima de Fame com West Side Story, num prédio da Mooca. Cheguei, toquei a campainha, subi, e ouvi um barulho que parecia uma marcha, uma subida de montanha russa, um trotar diferente. Era a aula de dança da montagem que eu me inscrevi (Carmen. Sim, a ópera Carmen, de Bizet, mas que vai ser montada em portugues e numa linguagem mais de teatro musical). E quem disse que eu tinha coragem de entrar na sala de ensaio? Nem a pau! Enrolei, falei com o Vítor (diretor da montagem), minhas pernas tremiam, eu queria muito, mas ao mesmo tempo nao queria estar ali. Entrei na sala da Kiki (que é quem toca a Operaria), fui dizer que ia participar do curso, etc. E ela ja disse "Ok, pode começar. Já vai pegando a coreografia". Eu travei, empaquei que nem mula na salinha dela, nada me fazia sair dali. Finalmente o professor de canto me levou pra sala de ensaios, eu entrei la murcho, parecia que eu tava sendo arrastado. Me encostei na barra. Todo mundo magro, dançando, sabendo fazer aquilo. E eu de crocs. De crocs, encostado na barra. Querendo fugir do mundo. Tentava aprender a coreografia, prestava atenção, mas sempre alguma bunda mexendo me chamava mais atenção do que qualquer coisa naquela sala. Não conhecia ninguém. Mentira, ate conhecia. Tinha um menino que eu sabia que tinha no meu Facebook, mas eu não lembrava o nome dele, e quando eu fui tomando coragem pra falar com ele, ele foi embora. A Bia Câmara que me deu a maior forca pra fazer o curso, mas ela não tinha ido hoje. Eu olhava as pessoas, e achava que uma delas era a Bia, de tao desesperado pra encontrar alguem conhecido que eu tava. Como eu nao encontrava, olhava fixamente pra um poster da minha professora de canto, Andrezza Massei, vestida de Dona Cômoda na Bela e a Fera. Era um olho numa bunda que se mexia, e um olho no poster. MAIOR vergonha do mundo foi quando a professora foi passar a coreografia das mãos, palmas, etc, e nem isso eu consegui fazer. Me senti um merda. Mas merda recém cagada boiando em privada entupida. Fiquei mais de uma hora em pé, tentando fugir daquela sala, me enconstando na barra, tentando fazer aquela mistura de sapateado com dança flamenca. Mas eu nao saia do lugar. Conversava telepaticamente com a Dona Cômoda, me distraia com as bundas, e queria sair voando pela janela. Sim, eu tenho muita vontade de voar quando eu não estou confortável num ambiente. E acho que amanha eu devo ter que acordar cedo pra comprar sapatilhas. Quando eu acho que não poderia fazer nada mais enviadado na minha vida. Bom, ai comecou a aula de canto. "Como vc chama?" -Eh, B-Ben... "Vc ja canta?" -Sim. E, sim. "Oq vc e?" [pausa] -Tenor. Sou tenor. "Ok, se junte a esses meninos aqui". E la vou eu fazer vocalizes... Aprendi um trecho da musica, e cantei. A voz meio embargada, saiu. Cantei, consegui. Dentro das quase 3 horas que passei naquela escola, esses 30 segundos cantando valeram o dia. Mas encontrei alguem sim, uma velha conhecida que nao via ha muito tempo... Minha amiga humildade. E voltamos pra casa juntos, conversando. Ja que eu to sendo muito cafona, deixa eu COROAR a cafonice e dizer mais uma coisa: NUNCA desistam dos seus sonhos, por mais impossiveis que eles parecam. E voces ainda vao me ver num musical. Nem que demore 50 anos, e eu va vestido de Elaine Stritch. (O texto ta bem cagado pq meu teclado nao ta configurado, e eu sai copiando e colando acento, pq eu sou BEM burro. E to com MUITO sono. )

quarta-feira, 3 de março de 2010

Priscilla - Queen of the Desert


Eu particularmente não sou muito fã de Jukebox Musicals, mas Priscilla mexeu comigo. As músicas estão perfeitamente em sintonia com o plot do espetáculo. Essa transição de cinema pra teatro, e vice-versa, é sempre bem complicada. Apesar de tudo se passar num plano bem fora do real, eles conseguiram manter todas as cenas do filme, com excelentes referências, e obviamente o ônibus está no palco durante boa parte do espetáculo.

Fiquei surpreso com um ator especificamente, Oliver Thornton, não conhecia seu trabalho e simplesmente virei fã incondicional dele. Pegar uma personagem como Felicia não é fácil, ele (ela?) tem tudo pra ser odiado, mas Oliver consegue fazer de um jeito que a platéia vai gostando dele durante o espetáculo... Uma bicha super afetada, com comentários engraçadíssimos e maliciosos, que se acha melhor que todo mundo. Previsível pra um musical sobre Drag Queens né? Pior que não, de algum jeito a gente aprende a conviver com Felicia ao longo do show.

Coincidentemente o show está em cartaz no Palace Theatre, que abrigou meu amado Les Miserables por anos. Óbvio que isso contribuiu para que eu gostasse ainda mais do espetáculo. Gostei muito das músicas, do elenco, e um detalhe quase mágico que a platéia quase não percebe é a maquiagem. As trocas são muito rápidas, mas em meio a tanto glitter a gente nem percebe mesmo. O truque é bem simples, eles usam máscaras nos olhos (Sim, tipo a máscara do Zorro). Máscaras feitas especialmente para cada ator, de um material translucido que se confunde com a pele, dando destaque apenas para a maquiagem superficial dos olhos e cílios. A única parte que é feita na hora, as vezes em cena, é a boca, basicamente batom e muito glitter nos lábios.

O musical deve estrear na Broadway ainda esse ano, e há boatos de que a Time 4 Fun já comprou os direitos para trazer o musical pro Brasil. So, let's Go West!

Beijos, Priscilla, Queen of the DESSERT

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

I dreamed a dream...







E finalmente, 9 anos depois de ver Les Miserables no Brasil, realizei meu sonho: Assistir Les Miserables em Londres. Les Mis foi o primeiro musical que assisti na vida... Me marcou de uma forma absurda. EU tinha de 15 pra 16 anos, fui a São Paulo com meus pais, que haviam assistido ao Les Mis no Teatro Abril poucos meses antes de eu assistir. Me levaram ao teatro, e foi uma experiência completamente mágica, nos primeiros acordes da Overture eu já chorava bastante, muito emocionado. De repente fui conhecendo as personagens e seus conflitos. Ontem parecia que eu estava reencontrando amigos no Cafe ABC. Valjean, Fantine, Eponine, Marius, Cosette, Javert, Gavroche, Os Thenardiers, Grantaire, Combeferre, Feuilly,Courfeyrac.









Foi um reencontro, um sonho realizado, I LIVED a dream. Para mim, uma celebração, um fechamento de um ciclo. Assim que cheguei ao teatro passei na loja de Souvenirs e saí de lá com 3 sacolas abarrotadas, deixei tudo na chapelaria junto com o sobretudo e abri um Veuve Cliquot para comemorar, afinal, foram quase 10 anos esperando por esse momento.
Obviamente não preciso comentar que o espetáculo é maravilhoso. Me impressionei bastante com o elenco, muito jovem, com um frescor incrível, dando ainda mais realismo ao espetáculo. O Valjean, para minha surpresa era o Simon Bowman (para quem não se lembra, foi o Chris da primeira montagem do Miss Saigon, no West End). Gostei bastante de todos. Todos foram bastante anteciosos na Stage Door.






Les Mis trouxe pra mim muita coisa boa, desde novos amigos até mesmo me fez descobrir a voz. Quando fui morar nos USA, a primeira música que cantei nas aulas de canto da escola, coincidentemente, foi On My Own, num arranjo para coro, onde os homens cantavam todos juntos como Marius. Falando em Marius, estou impressionado até agora com o Alistair Brammer, o Marius que eu assisti ontem. Extremamente jovem, porém extremamente talentoso. O menino tem um carisma incrível, super competente, e além de tudo muito simpático.





Les Miserables é um must-see-show para qualquer pessoa que venha à Londres. Dedico esse post aos meus pais, que me apresentaram a este espetáculo e brotaram em mim esse amor pelo teatro musical, que pelo menos há 10 anos vem sendo o motivo de minhas maiores alegrias. Espero um dia conseguir estar do outro lado. Será?






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No próximo post: "Priscilla - Queen of the Desert"

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Só um desabafo...

Carnaval chegando... Tô bem ansioso, confesso! Mas fico meio chateado com a falta de informação, ou talvez até descaso, que algumas pessoas em Recife (minha cidade natal, de onde eu saí há menos de 2 anos) tem comigo. Como nordestino sei o quanto é difícil sair de lá e conseguir fazer sucesso no eixo Rio/SP. Pra mim foi bem difícil, e até pro pouco tempo que eu estou aqui acho que já consegui muita coisa.
Não estou obrigando ninguém a saber quem eu sou, ou o que eu estou fazendo. Mas fico chateado com coisas do tipo. Uma vez fui no programa do Jô e não falei que era de Recife. Não escondi... Simplesmente esqueci de dizer, tinha ido lá pra vender meu peixe, divulgar meu show. O que teve de gente reclamando disso... Disseram que eu estava negando minhas raízes, que eu não dava valor a minha terra, etc. Ok, jura? Sempre que há espaço eu digo de onde sou, tenho orgulho de ser nordestino sim, mas acho meio louco essa coisa de ser mais conhecido num lugar onde eu só cheguei há um ano e meio do que na minha própria cidade.
As vezes parece que as pessoas em Recife de um modo geral se sentem oprimidas pela mídia, e é como se o artista de lá tivesse obrigação sempre de dizer sua origem, como se fosse um cachorro, mijando e marcando território.

Enfim, tudo isso só pra dizer que eu estou BEM chateado de não ter recebido ao menos um convite sequer para algum camarote, ou essas casas de patrocinadores, onde eles recebem seus artistas locais, ou talvez, somente os que não são de lá, pra quem eles pagam um puta pau.

Santo de casa não faz milagre mesmo, e ultimamente, nem pra despacho eu tô servindo!

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Versão Brasileira - Cláudio Botelho


Quem me conhece sabe o quanto eu sou louco por musicais. É como se fosse uma religião pra mim, as vezes viajo só para assistir musicais. E nesse boom de musicais no Brasil, sempre um nome me chamava a atenção: Claudio Botelho.

Já respeitava e era fã do Claudio pela sua grande contribuição ao Teatro musical no Brasil, mas não tinha noção do showman que é Claudio Botelho. Tem um carisma que poucos artistas possuem, domina o palco como ninguém. Tem uma facilidade imensa para emocionar ou fazer rir, e transita entre os dois lados com uma sutileza quase que mágica.
'Versão Brasileira' é uma verdadeira festa para quem assiste, uma celebração, um jeito de comemorar esse momento onde o Teatro Musical no Brasil mostra que veio para ficar. Num pique de qualquer espetáculo do Great White Way, Claudio surpreende a cada número, e quando achamos que vimos um showstopper, ele vai além, e supera o número anterior. Os comentários entre os números são extremamente pertinentes, uma conversa descontraída, de tão intimista que é o espetáculo nos sentimos numa conversa de backstage com o Claudio, cantando e contando, com toda realeza de quem cuida muito bem dos nossos musicais. Vida longa aos Reis!

Mais uma vez um blog

Já tive vários blogs, nunca continuei a escrever neles. Resolvi fazer esse aqui não pra contar piadas, ou publicar textos de humor, mas comentar um pouco sobre espetáculos, viagens, ocasionalmente falar de humor, enfim. Assisti um espetáculo ontem, no Rio, onde estou agora, que me inspirou a ter um blog de novo. Mais sobre o espetáculo no próximo post!